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A melhor forma de usar IA em seus projetos

04 de junho de 2026

#agentes
#ia

Olá!

Faz tempo que não escrevo por aqui. O mundo caminha em um ritmo muito acelerado e andei tentando acompanhar. Obviamente, não consigo acompanhar tudo, então desacelerei e pensei em trazer algumas coisas bem legais que aprendi nos últimos meses.

Minha relação com a IA

Faz um tempo que trouxe um pouco da minha visão sobre a inteligência artificial em dois artigos aqui no blog. Em Assistentes do mal e O dev do futuro, eu falei sobre como devemos ter em mente a ideia de que a IA é uma ferramenta. E, como qualquer ferramenta, cabe a nós fazermos o melhor uso dela. Eu compartilhei que acredito que o desenvolvedor é alguém que irá delegar mais tarefas para a inteligência artificial, principalmente a escrita de código, mas também é aquela pessoa que precisa entender muito mais os fundamentos, conhecer mais do negócio, da estratégia e do produto que está entregando. Ou seja, ser um desenvolvedor mais generalista do que especialista, entre outras coisas.

Mantenho minhas ideias e opiniões sobre tudo isso até aqui, mas com novos olhares. Tenho usado muito a IA para acelerar o desenvolvimento de interfaces. Eu a conecto ao Figma MCP e, através de uma skill que criei, faço com que ela pegue todo o contexto de design e o transforme em código. Ela quebra esse arquivo do Figma em partes menores, usando subagentes para cada etapa e seguindo rigorosamente os padrões de projeto adotados pelo time e os estilos definidos no design system da empresa. Deixo critérios bem claros sobre o que ela pode ou não fazer a partir do design do Figma, e ela está se saindo surpreendentemente bem até agora.

Não é novidade que esses novos modelos, como o Codex 5.5 e o Claude Opus 4.8, são cada vez melhores. Então, não chega a ser uma surpresa por ser algo inesperado, mas sim porque você pisca e já tem algo supernovo para aprender, ou a IA já faz muito mais do que você achava que ela seria capaz.

Então é isso: eu tenho usado muito a IA para gerar código, principalmente de interfaces, páginas, componentes etc. Mas não só para isso. Tenho-a utilizado em quase tudo o que faço hoje no meu trabalho como desenvolvedor e quero compartilhar com você algumas das melhores formas de usar a IA, independentemente do seu nível de experiência.

Formas comuns de usar a IA

Assistente de código

Antes de existir a IA como conhecemos, os editores de código como VS Code, IntelliJ, Vim, entre outros, já possuíam o recurso de autocomplete. No entanto, ele era bem limitado, autocompletando apenas uma palavra, uma linha ou, no máximo, um bloco de código.

Atualmente, com as IAs integradas diretamente nos editores, é muito comum que esse autocomplete gere uma função inteira, um componente ou até uma tela completa. E, normalmente, essa sugestão é baseada nos padrões do seu próprio repositório ou pasta de trabalho. São padrões de código seus ou funções que já existem no seu projeto que a IA aprende e sugere para você usar. Os devs de hoje estão teclando cada vez menos. Alguns só precisam usar a tecla TAB e a IA faz o resto (risos).

Rubber Duck e Copiloto

Esta é a minha forma favorita de usar a inteligência artificial. É como ter um patinho de borracha (rubber duck), sendo o meu ouvinte (no caso, leitor) mais fiel e discutindo de forma técnica o que estou pensando no momento.

Mas não para por aí. Gosto de enxergá-la como um verdadeiro copiloto. Aquele que escuta, sugere e executa. Atualmente, estamos na era da "programação agêntica", isto é, os agentes de IA executam tudo o que você deseja fazer. Basta você escrever um documento de especificações (specs) sobre o seu projeto e a feature que quer desenvolver, e o agente sozinho lê, entende e executa. É quase como o Homem de Ferro com o Jarvis, mas com uma interface quase nula. Tem pessoas que fazem isso sem nem sequer abrir um editor de código, e eu acho isso surreal.

Gif do homem de ferro usando o Jarvis

A questão é que, nessa forma de usar, eu prefiro ter mais controle sobre o que será feito. Não costumo escrever specs (ou seja, uma especificação completa e automatizada do que vou implementar). Como trabalho mais com o desenvolvimento de interfaces, costumo escrever um prompt dedicado para cada componente, seção ou tela que vou construir.

É nesse prompt que eu defino quais skills quero que a IA use, quais arquivos de memória sobre o meu projeto ela precisa ler, quais padrões deve seguir e quais arquivos já implementados no projeto ela pode usar como base para desenvolver o novo pedido. E é aqui que eu explico para a IA como estou pensando em desenvolver o recurso. Explico para ela como explicaria para o patinho de borracha na minha mesa, detalhando o porquê de eu querer seguir por determinado caminho de implementação e não por outro; por que ela deve criar server components e não client components; por que deve evitar usar funções request-time do Next.js nos componentes de servidor, etc. Eu busco dar mais contexto das decisões que ela precisa tomar do jeito que eu faria, porque eu conheço o repositório em que estou trabalhando muito melhor do que ela.

Depois dessa nossa conversa amigável, peço que ela monte um plano de execução. Muitos editores e ferramentas de IA integradas contam com isso hoje: o chamado Plan Mode. É extremamente útil, pois me permite entender o mapa de execução que ela traçou. Se houver algo ali que ela pensou em fazer de um jeito que eu sei que trará problemas, eu a corrijo na hora e peço para seguir pelo caminho mais seguro.

Normalmente, essa tem sido a abordagem com a qual me sinto mais confortável, pois continuo no controle das decisões importantes. Dou o contexto do que temos atualmente, o que quero desenvolver e como seguiria o desenvolvimento, considerando que conheço melhor o negócio, o nosso produto e os contratos das nossas APIs. E quase sempre ela "mata a pau" o pedido, acertando cerca de 90% do que precisa ser desenvolvido, cabendo a mim apenas os pequenos ajustes finais.

Revisora de código

Se a IA gera o código, cabe a ela também fazer, pelo menos, uma primeira revisão. Concorda?

Essa é outra forma que tenho adotado bastante: usá-la para revisar o código. A IA é excelente para ler dezenas de linhas rapidamente e encontrar padrões ou desvios que estabelecemos. Basicamente, eu digo a ela como quero que faça a revisão, o que deve observar, se determinado trecho cria um padrão de code smell no projeto ou se aquele código pode se tornar impossível de manter no futuro.

Esse processo fica ainda mais interessante se você utiliza diferentes modelos para trabalhar. Você pode usar um modelo voltado para código para implementar a feature e o Claude, por exemplo, para revisar. Desse jeito, a revisão fica menos parcial e as chances de "vícios" do modelo que gerou o código se repetirem são bem menores.

Tutora de programação

Essa forma aqui é fantástica, principalmente se você é iniciante ou está aprendendo uma tecnologia nova. Use a IA como uma tutora de programação personalizada.

Não seria incrível se, enquanto você estuda online fazendo seus cursos, tivesse um mentor ao seu lado para ajudar a entender os conceitos e explicações mais difíceis? Pois é, a IA é uma forte aliada nesse sentido.

Pedir para a IA ajudar a entender aquela linha de código específica, aquela função complexa ou um conceito da linguagem que você está estudando vai acelerar demais o seu processo de aprendizagem. Antigamente, precisávamos interromper o estudo para ir ao Google, pesquisar a dúvida, abrir vários posts ou links, ler todos eles para sintetizar o que estavam explicando e, só então, absorver o conteúdo.

Hoje em dia, você pede para a IA fazer isso e pode até usar comandos como: "Explique-me como se eu tivesse 5 anos". Ela vai adaptar a linguagem de uma forma tão didática que se torna impossível não entender.

Essa é uma das maneiras que acredito que mais podem potencializar os seus estudos, então, sempre que possível, faça uso dela.


Conclusão

Se você é desenvolvedor e ainda não está usando IA, você está ficando para trás. Ela é, sem dúvidas, uma ferramenta poderosa de produtividade que potencializa (e muito) as suas capacidades. Se você era o tipo de dev que conseguia pensar muito bem nas soluções, mas demorava para escrever o código, com a IA esse gargalo acabou. Ela faz isso por você e de forma extremamente rápida, resolvendo a lentidão na escrita e deixando você livre para focar na arquitetura e na solução de outros problemas.

No começo, é perfeitamente normal se sentir inseguro com o que a IA gera. Mas, enquanto você se mantiver no controle, orquestrando as soluções e guiando a ferramenta para os melhores caminhos, você estará seguro.

Gosto de pensar que, de certa forma, a IA devolve um pouco do seu tempo, e esse tempo precioso você pode usar para se tornar ainda melhor no que faz. Para mim, é um cenário de ganha-ganha.

Mas seguimos de olho no futuro.